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Como se fosse um maestro a orquestrar versos curtos, embalado por uma musicalidade quase palpável. Assim, eu descrevo o autor de Jenipapo! E me pergunto toda vez que leio algum dos seus poemas para alguém, ou apenas, os releio para me sentir em estado de encantamento e ver, como é fantástico ter o privilégio de estar com um livro como este nas mãos. Será magia? Só sei que tem algo que ninguém tira ou “rouba” de cada um de nós: A permissão de nos tornarmos donos de um texto que nos foi cedido, indiretamente pelo autor, para que possamos viajar através de suas orquestradas palavras. E mais! Nada melhor do que apalpar as idéias, que ficam aí fervilhando na cabeça da gente, e vê-las expostas por alguém especial para o público, principalmente, o infantil. E, finalmente, como a união das artes se transforma num produto de invejável valor?
Gostar de poesia, amar a poesia, ser poesia, sentir a poesia como parte de nós mesmos, todos já devem ter experimentado em algum momento. Mas, o que o J.S. Ferreira criou para presentear o público infantil é muito mais do que magia. É entrega, é doação total. Disso, eu tenho certeza!
Marilia – Como escrever algo tão charmoso e rico, como a poesia que está imortalizada em vinte e oito páginas de seu livro Jenipapo?
J.S.Ferreira – Jenipapo foi feito de maneira despretensiosa, sem nenhum compromisso com editora ou crítica literária. Foi feito com amor, e seus textos refletem a imagem de uma infância privilegiada, que vivi numa pequena cidade do interior, cercada de rios, cachoeiras e fazendas, bichos e uma natureza exuberante. É neste cenário que busco, ainda que um pouco tarde, a inspiração para o meu fazer poético. Estou feliz por ter escrito Jenipapo e me sinto honrado de vê-lo editado através dessa parceria Clesi/Ed. Aldrava Letras e Artes. Espero escrever outros livros deste gênero, e que Jenipapo possa dar frutos, especialmente porque o Clesi sabe trabalhar com projetos de leitura em escolas do Vale do Aço.
Marilia – Jenipapo tem gosto de algo mais. Você voltou aos tempos de criança para escrevê-lo ou ouviu música soprando-lhe versos, direcionado seu olhar para captar os mínimos detalhes?
J.S.Ferreira – A infância é um dos meus temas favoritos. Ela é como uma música que não ouvimos há tempo, mas que está gravada em nosso subconsciente e sempre que é tocada, nos faz recordar de fatos alegres ou tristes que nos marcaram ao longo da vida. A infância é mágica e dá graça à vida.
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Marilia – Sua poesia, em Jenipapo, é como o cheirinho bom que vem da padaria para encher o dia com um belo amanhecer? O que dizer sobre este cheiro bom, está música boa que seu livro traz para os leitores?
J.S.Ferreira – A literatura, especialmente esta dedicada às crianças, deve agradar aos olhos, às mãos, à boca, aos ouvidos e além de tudo deve encantar. Se não tiver estes atributos, ela não cumpre com o papel principal da arte literária: fazer pensar, sendo agradável e bela.
Marilia – Como Aldravista, o que dizer da poesia em sua essência?
J.S.Ferreira – A poesia é a expressão máxima da liberdade. Assim, a minha poesia é Aldravista, pois não é presa a uma forma exclusiva, e está autorizada a ser experimentação de formas compostas de qualquer substância. Uso poemas sintéticos, temas banais, mas bato as portas da imaginação com versos questionadores.
Marilia – Como explica este estado de graça: explorar o máximo, retirar o mínimo e sintetizar o tudo?
J.S.Ferreira – O segredo é ser paciente e disciplinado. Gostar de fazer poesia e ter conhecimento para explorar tudo que o tema oferece como fonte de novos assuntos. Não sei se falaria em “retirar o mínimo”, mas em “perceber no mínimo” coisas máximas, coisas relevantes para a vida cotidiana, especialmente para aqueles que estão em fase de amadurecimento, de escolarização. A síntese, portanto, é conseqüência natural do exercício de ver e sentir o mundo que nos rodeia, nos seus mínimos detalhes.
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