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Existem coisas na vida da gente que nos causam encantamento, mesmo em quem não está “predisposto” a enxergá-lo. Em duas dessas coisas, esse estado extrapola nossas vontades e sempre nos provocam com seus mistérios. Por um lado, o humor! Aquele humor descompromissado, que não dói, que apenas ascende o riso solto. E por outro lado, justamente, esse riso solto, num rosto ou olhar de uma criança.
Como misturar as essas duas coisas e fazer com que nos transportem pra esse estado de encantamento? Está é a pergunta que nós, que estivemos envolvidos com a divulgação da Série Giro-Lê, conseguimos ler nos rostos dos pequeninos e dos não pequeninos, que tiveram a chance de observar o texto e a ilustração do livro Kiko e o Tamanduá. E, certamente, leremos nos rostos daqueles que ainda terão esta oportunidade.
Para vocês duas entrevistas. Uma realizada por Isabella de Faria Coelho, a melhor amiguinha do autor, seu pai Ademar Pinto Coelho e outra, como complemento desta obra que provoca este encantamento, com o ilustrador, o cartunista Jorge Inácio.
Isabella - Você já publicou algum outro livro? Fale um pouco sobre ele.
Ademar - Sim! A Cobra Falante. É um livro infanto-juvenil cheio de aventuras.
Isabella - Como surgiu a idéia de criar o livro do Kiko?
Ademar - Em função do tio dele, meu irmão, que gostava de caçar e o Kiko sempre questionando o porquê da caça.
Isabella - Você escreverá um livro juntando o Kiko e a Cobra Falante?
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Ademar - É uma ótima idéia! Com certeza será uma grande aventura.
Isabella - Além de proteger os animais, ele também gosta de ler?
Ademar - Infelizmente, ele lê pouco.
Isabela - Já sabemos que o Kiko fez suas travessuras. Relate alguma história engraçada que aconteceu com um dos bichos que o Kiko salvou.
Ademar - Ao livrar o peixe de um anzol, acabou levando uma mordida e fez uma cara tão feia e engraçada que todos caíram na risada deixando-o vermelho de vergonha.
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Clesi - Você declarou que desenha o tempo todo, a vida toda. Como começou esta história?
Jorge Inácio - Desde criança na escola era chamado ao quadro-negro para desenhar mapas, animais, partes do corpo humano, além de fazer caricaturas (ou o que viria a ser) dos colegas e professores. Mas, de vez em quando me dava mal.
Clesi - Como é desenhar brincando com a multiplicidade de olhares, bem diferentes do olhar comum?
Jorge Inácio - Na ilustração a gente pode tudo. Viajar pra qualquer parte da imaginação, passado, presente, futuro, ficção, realidade...
Clesi - Afinal, como é fazer rir com a charge, o cartum e suas várias possibilidades?
Jorge Inácio - Primeiro vamos definir o que é charge e o que é cartum. Charge: fato que acontece hoje, agora, geralmente político. Cartum: tem mais longevidade, pode ser visto daqui há um, dois ou mais anos e não perde a mensagem. O cartum ao contrário da charge não é datado. A charge e o cartum tanto podem fazer sorrir, rir ou chorar, pois em certos casos pode ser uma denúncia (ecologia, política, costumes, comportamento, etc.).
Clesi - Kiko foi sua estréia como ilustrador para o público infantil. Como foi vê-lo pronto?
Jorge Inácio - Sempre tive muita vontade de ilustrar para crianças, mas nenhum escritor me convidava e como não consigo escrever a história, fiquei todo este tempo esperando. Então, o Ademar (Pinto Coelho) me deu esta oportunidade, a qual agradeço e espero que outras apareçam. Mas, ver o livro pronto foi ótimo, muito gratificante.
Clesi - Trabalhar para a criança é sempre muito prazeroso. O quê de especial você colocou neste livro para provocar o encantamento das crianças?
Jorge Inácio - As cores sempre provocam um fascínio muito grande nos pequenos, mas bichos que ficam em pé, falam e tem comportamento de gente mexe com o imaginário deles. É lindo! |
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Clesi - Qual foi a parte mais trabalhosa do processo de ilustração desse livro?
Jorge Inácio - Desenhar / ilustrar é extremamente prazeroso, é como compor e cantar uma bela música. Por isso, não chego a achar trabalhoso.
Clesi - Outra curiosidade comum, em quem vê o livro. As várias técnicas usadas. Esta mistura de materiais. O que pode nos dizer para explicá-las, de uma maneira mais fácil, para as crianças entenderem?
Jorge Inácio - Desenho com lápis de cor, pinto com aquarela, ecoline, guache, nanquim ou caneta esferográfica, apesar destes materiais já estarem quase fora de moda (se é que existe moda neste caso). Mas, pra não ficar muito por fora eu estou aprendendo a colorir no Photoshop, que é muito mais rápido. Mas, acho que vou sempre preferir desenhar e colorir a mão livre.
Clesi - Você gostou da experiência de desenhar para crianças?
Jorge Inácio - Já trabalho com crianças há algum tempo, fazendo oficinas em escolas municipais de Timóteo e Ipatinga e adoro. Tenho muita afinidade e aprendo muito com elas.
Clesi - Agora duas perguntas de uma leitora mirim do nosso site: De onde você buscou inspiração para construir uma floresta tão rica, profunda e colorida? E o que fez você colocar os bichos, no final do livro, fazendo gestos com as patas de formas tão engraçadas?
Jorge Inácio - Em primeiro lugar, sempre penso na Floresta Amazônica, que é um dos lugares mais lindos e necessários do mundo! Mais um pouco de imaginação e lápis de cor, daí surge o desenho. Os bichos fazendo gestos humanos ficam muito mais engraçadinhos. Vocês não acham? Porque na ilustração a gente pode tudo! |
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